A Cronica Feminina

The Pink Leather Blog Show: 'Rio do meu próprio coração e faço-lhe todas as vontades' Goethe in Werther

Quarta-feira, Novembro 02, 2011

no princípio era o verbo

mas o verbo andava por ali, não fazia nada, só falava, e então, farto de ouvir o verbo que não se calava, o verbo foi feito homem e de facto, calou-se.

calou-se, mas começou a fazer umas coisinhas... por exemplo, descobriu que tinha um brinquedo entre as pernas que muito o entretinha e então, apercebendo-se de que o princípio do verbo se estava a perder para alguns grunhidos incompreensíveis, o verbo fez-se mulher.

quando se fez mulher foi pior a emenda que o soneto, defendem alguns, porque se o verbo não se calava, enquanto verbo, agora não se calava de maneira nenhuma enquanto mulher e ainda por cima tinha ganho uma verborreia bastante desenvolvida, ia criando novos termos todos os dias, jogos de palavras e distorcia por completo o princípio do verbo, já que se utilizava de si mesma para levar a sua avante, já que andava sempre atrás do homem, que queria era divertir-se com o seu brinquedo entre pernas, sem ter ainda percebido que tinha outras utilizações.

então veio a cobra, farta de ouvir o verbo e enfiou uma maçã pela boca do verbo feminino abaixo, na esperança de que ela se calasse, mas não teve sorte nenhuma, que quem ficou com a maçã entalada foi o verbo masculino. se calhar porque descobriu as outras utilidades para o seu brinquedo, o que levou a engasgar-se e nunca mais foi o mesmo a partir daí.

então o verbo originou verbinhos, todos iguais à mãe verba, a falarem sem parar, e proliverbaram por esse mundo fora, sempre com grande iniciativa.

algures alguém conta uma história de que os verbos foram expulsos por terem cometido o pecado original, que, pelos vistos, foi não parar de falar...
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