há expressões perfeitamente inúteis que são absurdamente úteis num diálogo.
é o caso do "despacha-te".
estamos atrasados, estamos enfiados no metro, que por acaso está parado, apenas com o sinalzinho luminoso na estação a dizer que por motivos de ordem técnica o trânsito está condicionado na linha não sei quantas, que "oh espanto!) é aquela onde estamos e (oh espanto!) toca o telemóvel.
ouve-se a voz (oh espanto!) do chefe que pergunta onde estamos e a resposta (espantosa) é "estou no metro, que está parado)
entre pragas ele diz: ok, despacha-te.
respostas possíveis:
concerteza, vou avançando pela linha até chegar à minha estação
concerteza, vou dizer ao condutor que estou atrasada, se ele nao se importa que se mexa.
concerteza, vou sair agora, em nenhures, e apanhar um táxi que a empresa paga, corro é o risco da segunda circular não ser mais despachada...
ça ira ça ira...
e porque é que ele diz "despacha-te"?
porque apesar de ser uma frase absolutamente desnecessária e inútil dadas as circunstâncias em que nos encontramos, é uma frase absurdamente útil para terminar uma conversa.
ele ia dizer o quê? ok, até já?
igualmente inúteis, mas úteis, são as frases:
ok, vê lá isso, quando o computador acabou de bloquear e o nosso trabalho não gravado vai todo ao ar.
então vê lá se isso se resolve, quando houve uma falha de electricidade no quarteirão e não conseguimos trabalhar
vê lá se apareces, quando a máquina de lavar a roupa acabou de inundar o chão, precisamente a cinco minutos de sair para um jantar de amigos...
pronto, já (re)apareço...