A Cronica Feminina

The Pink Leather Blog Show: 'Rio do meu próprio coração e faço-lhe todas as vontades' Goethe in Werther

Terça-feira, Maio 29, 2012

sarnatenta

há uma ligeira diferença entre a sarna e a tentação.

a tentação é um exerício de pilates. entra por aqui dentro, faz-se que faz bem, mexe comnosco e faz-nos descobrir músculos que nem imaginávamos que existissem, para depois nos deixar todos doridos, a gemer, mas a querer mais.

a sarna é como um bolo de chocolate cheio de molho e açúcar. faz mal, nós sabemos, mas continuamos a ir lá porque estamos mesmo, mesmo, mesmo a precisar (é claro que não estamos a precisar).

a nossa cultura cristã deu-nos todas as armas para combater a tentação: se vires uma cobra, mata-a. se essa cobra te oferecer uma maçã, vai ao psiquitra, que todos nós sabemos que as cobras não oferecem maçãs...

no entanto, a nossa cultura cristã não nos deu todas as armas para combatermos a sarna (porque na altura não havia sabão-macaco... na altura quase não havia banho sequer... vá...). ou seja, a sarna chega e chaga. coça, coça, faz ferida, e pronto lá passará. assim se combate a sarna.

daí que a sarna seja muito pior que a tentação, primeiro, porque não se combate nem se mata, depois porque lavar com sabão macaco não é propriamente a melhor coisa que há à face da terra.

assim sendo, deviamos aprender que a sarna podia ser evitada. por exemplo, não ir ao facebook para ficar cheia de comichões ao ver aquelas fotos. e mais ainda, para se perceber que raio, agora sou uma mulher casada, e virtuosa, e tenho que evitar magoar os outros. e por isso, toca de afastar a sarna com sabão macaco (não, querido, não és tu)... até porque não me apetece enlouquecer.... mas às vezes, um choquezito de glicémia... (coça, coça, coça)

Terça-feira, Maio 22, 2012

coisas boas de ficares sozinha em casa uma semana

depois dessa semana podes voltar a abraçá-lo de manhã e à noite

podes fazer-lhe festas sem precisares de tocar o monitor do computador

podes (não) ouvi-lo a falar pela casa

e podes sempre importuná-lo e perguntar-lhe quando é que vai ele outra sair outra vez.

coisas más de ficares sozinha uma semana

reparas que depois dessa semana, o número de louça para lavar triplicou.

reparas que a tua capacidade de concentração, de repente, ao fim de uma semana, diminui drasticamente

reparas que a gata também estava a ficar mal-habituada. e pior: feliz

... e se calhar... tu também...

Segunda-feira, Maio 21, 2012

diz-se que são carteiristas profissionais

porque para o serem, têm que tirar a carteira

Segunda-feira, Maio 14, 2012

as mães

as mães são autoras de um dos fenómenos sociais menos estudados da natureza humana, se calhar por que são mães e ninguém se quer meter com elas.

a que me refiro? à solidariedade. a pouca coisa em que as mulheres são solidárias é na maternidade. e não é para tratarem dos filhos umas das outras (normalmente contam com amigos sem filhos para isso), nem para se defenderem umas à outras de críticas. não, nada disso. as mães são todas solidárias quando é para se desculparem umas às outras.

têm sempre resposta pronta para explicar porque é a que a outra mãe disse que a filha parecia um espantalho quando saiu do cabeleireiro, porque é que disse à filha que estava cada vez mais gorda, porque é que a filha tinha sempre tão mau gosto a vestir. e sim, a explicação, normalmente, resume-se a um "porque se preocupa, pois claro". pois claro.

a solidariedade maternal é um fenómeno incontestado porque todos sabemos que se há pessoa com quem não nos devemos meter é com a nossa mãe (e já agora com a dos outros... parece-me que as crianças ainda não perceberam o potencial do "vou dizer à minha mãe" em vez do "vou dizer ao meu pai"... quer dizer, se calhar perceberam... o pai chega, toma lá uma belinha, ou um calduço, ou um chapadão, e o caso fica arrumado... já dizer à mãe, é um golpe muito baixo... um assunto não se resolve com essa facilidade...). por isso, fingimos que não compreendemos que as amigas que são mães, são as primeiras a defender a nossa, depois de nos queixarmos delas (com o incontestável - "porque se preocupa, pois claro". ora, pois, claro.

a preocupação maternal é a arma mais maquiavélica e cara que pode existir. retorcida e maliciosa, é exercida sem dó nem piedade, e ninguém se pode atraver a dizer - mãe, não se preocupe comigo!, porque não conseguimos sobreviver à falta de preocupação da nossa mãezinha. é tenebrosa a ideia de que falamos com a nossa mãe e ela não nos pergunta como estamos, se precisamos de alguma coisa. mas é bem caro o preço que pagamos por isso.

há várias preocupações que pagávamos de bom grado que a nossa mãe não tivesse: estares a caminhar para obesidade se não tomares cuidado, envolvereste com uma pessoa que não é certa, ires com melhor roupa para o trabalho que os outros vão pensar que não tens dinheiro; cortares o cabelo no sítio certo, em vez de andares por aí na rua com esse mau aspecto; alimentares-te de jeito, que essas porcarias que comes só fazem mal. mas não há nada a fazer. elas estão aí e nós temos que aguentar com elas.

todos sabemos que estariamos muito melhor se continuássemos a viver com a nossa mãe: refeições saudáveis feitas, roupa lavada e arranjada e de muito bom gosto, o penteado perfeito. de vez em quando um miminho e vá, muito de vez em quando, a possibilidade de sair de casa para ver a vizinhança, mas não te afastes muito! mas como o mundo é cruel e injusto, temos que sair de casa e dar o grito do ipiranga (que barulheira! desde que saíste de casa que quase não te reconheço!) e consequentemente as preocupações das nossas mães aumentam. e por isso estamos mais gordos, pior vestidos, com a roupa toda amarrotada, um corte de cabelo horroroso, porque sabemos perfeitamente, que a nossa mãe toma melhor conta de nós, do que nós próprios.

e por isso se preocupa, pois claro! pois, claro...

Sábado, Maio 12, 2012

sabes que estás velha e a precisar de uma dieta séria

quando na véspera do casamento estás a olhar para a pouca roupa que ainda te serve e vês que as opções são:

- teres todas as amigas que não te vêem há algum tempo a perguntar de quanto tempo estás grávida e porque não disseste nada

- teres a oportunidade de seres convidada com outras como tu, porque não, não estarás sozinha, para a próxima produção do "charco dos hipópotamos"

- dares ouvidos ao que a tua mãe diz e vestires a roupa que te aconselha. já agora, perdida por cem, perdida por mil, arma o cabelo como ela e depois explicas no casamento que um imprevisto te impediu de ires à cerimónia, mas que foste em lugar de ti... ao menos sempre vais ouvir elogios de que pareces tão nova e estás mais magra!

Segunda-feira, Maio 07, 2012

as fases da mãe gracinha até hoje

mais ou menos até aos cinco anos não diz nada porque ela é que manda

mais ou menos até aos 10 anos - não saias à rua sem chapéu (de sol ou de chuva)

mais ou menos até aos 15 anos - vais sair à rua com essa roupa?!

mais ou menos até aos 20 anos - vais sair à rua pintada dessa maneira?!

mais ou menos até aos 25 anos - vais sair à rua sem uma pinturazita?

mais ou menos até aos 30 anos - vais sair à rua com esse cabelo?

mais ou menos até aos 35 anos - vais sair à rua sem o anti-rugas? porque é que não pintas o cabelo?

mais ou menos até aos 40 anos - vais sair à rua com essa roupa apertada? devias fazer uma dietazita...

mas quando os outro me elogiam: "sai a mim..."

Terça-feira, Abril 17, 2012

se calhar

tenho que agradecer a quantidade de nabos que me enfiaram pela garganta abaixo durante a minha infância, o que me deu uma grande preparação para engolir os nabos com que lido actualmente...

mas continuo sem gostar...